quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Manhattan sul americana



Hoje fui a Puerto Madero e ao Palermo Soho. Dois bairros muito chiques de Buenos Aires. Prédios enormes no primeiro, restaurantes caros. No segundo, lojas de griffes famosas, um charme de lugar onde circula muito dinheiro. Tudo muito bonito, seguro, arrumado.
No primeiro, me encantou a Ponte da Mulher e a decoraçao que aproveitou todas as estruturas do velho porto. Foi uma revitalização do lugar. Um prazer imenso andar por ali.

El Che...

Ele nasceu na Argentina, viajou pela América do Sul, morou em Cuba, onde ajudou a transformar a política do país e morreu na Bolívia.
Ganhei um documentário de produção ítalo-cubana onde ouvi seus discursos e me apaixonei.
Visitei Cuba, Bolívia, Paraguai, Argentina e o Uruguay. Moro no Brasil. Há tanto que me separa dele. Sua língua, sua visão de mundo, sua coragem. Era um guerreiro. Talvez não fosse o ingênuo romântico que se vende nos filmes hollywodianos... mas um amigo uruguayo, historiador, me contou que foi um bravo até o último momento. Sempre gosto de ouvir as histórias de El Che.
Os Cubanos o idolatram. Os brasileiros o admiram. Talvez quisessem ter um herói moderno como ele.
Mas nos outros países de lingua latina que visitei, El Che não é tao cultuado quanto eu imaginava.
Nao vi na Argentina um só monumento a ele. Vi uns poucos retratos públicos, duas ou três pessoas com tatuagens de seu rosto, mas nada muito significativo...



Já em Cuba há a presença dele em todo lugar, embora nos bastidores se acredita que Fidel tenha ficado aliviado quando ele se foi. Ele ofuscava o brilho de todos.
No Uruguay vi uma Plaza, abandonada, talvez fosse melhor que nem existisse...



Sinto saudades desse homem que morreu antes de eu nascer...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Comidas, comidas...


Confesso que nunca comi tanta carne como agora na Argentina e Uruguay. Nao é à toa que vi tanto rebanho variado pelos mais de 700 km que percorri, quando saí de Colônia do Sacramento para Montevideo, e depois voltei para Buenos Aires passando por San José, Trinidad e Paysandu. Era muito gado... destinado à parrilla (churrasco).
E, claro, estando em um país, precisamos provar o que ele oferece. Pamplona de lomo, ou de pomo, ou de cerdo... deliciosos, carne enrolada com temperos variados, ervas, queijo...
Morcilla, uma linguiça preta, feita com sangue de porco, de sabor forte. Provei testículos de boi...
Bife Chourizo, enrolado com presunto e queijo.
Comi muitas papas (fritas, purê, assadas...), de maneira geral, os países latinos utilizam muito a batata para acompanhar as carnes.
Para quem quer dica de comida barata... em Buenos Aires se come bem com 30 pesos argentinos ( o equivalente a 15 reais ou 8 dólares). Mas se gostar de vinho, vai precisar de um pouco mais ( nos restaurantes eles custam 30 pesos, vinhos simples, mas de boa qualidade). Durante o almoço, como não abro mão de vegetais, acabei optando pelos restaurantes chineses, que cobram entre 20 e 30 pesos. Achei dois bons restaurantes chineses na rua Peron, onde fiquei hospedada, no centro de Buenos Aires. O melhor deles, o Bambu, tem variadas saladas e petiscos chineses maravilhosos.
Bom mesmo é o restaurante do Jardim Japonês. E o ambiente é lindo.
Já uma pizza, vale a dos Imortalles, na avenida Corrientes, próxima a Calle Uruguay, no centro de Buenos Aires, no Bairro San Nicolas.

Já em Montevideo, obrigatório uma ida ao Mercado do Puerto, onde há diversos restaurantes. Iguarias maravilhosas!!!!

Em Montevideo




A capital do Uruguay é aconchegante, pequena, fácil de andar. Atrações? sim, praia, muitas!!! e prédios lindos para a gente visitar.


A Fortaleza General Artigas, construída no Cerro de Montevideo, imponente e bela, fica no ponto mais alto da cidade, distante do centro. De lá se vê Montevideo pequenina, rodeada pelas aguas do Estuário del Plata.


O Palacio Legislativo é uma atração, construido em uma área só para ele, reina imponente.

Ida e volta para o Uruguay

Fui de Buenos Aires para o Uruguay de automóvel, mas usando o Ferryboat, da empresa Buquebus, para travessia, saindo de Buenos Aires quase à meia noite. Por pessoa, 127 pesos argentinos. O carro custou 290 pesos (atualmente 150 reais, perto de 80 dólares).

A viagem é muito tranquila, nem parece que estamos em uma embarcação. O Eladia Isabel (nome do barco), é enorme, muito bem estruturado, com serviço 'de primeira', ele nem balança nas águas del Estuario del Plata, no Rio de la Plata.

Comecei minha exploração do Uruguay por Colônia de Sacramento. Acho que nao tinha lugar mais lindo para começar. Colônia é uma cidade histórica, patrimônio da humanidade. Linda, pequena, preservada, com suas casinhas do século XVII, intactas, coisa rara.




Quando foi criada, pelos portugueses, era a única vila de origem portuguesa por estas bandas castelhanas. E foi palco de lutas e batalhas, porque os espanhóis, com razão, reinvindicavam sua área, em cumprimento ao Tratado de Tordesilhas.

Já em Colônia, pelo avançado do horário, estava tudo muito deserto e foi possível fazer uma viagem no tempo, percorrer as ruas de pedras, com suas valas fundas para escoamento de água, imaginando que a qualquer momento vamos ver algum português a gritar de alguma janela.


Na volta, de carro, passei por San José, a 60 km de Montevideo, depois almocei em Trinidad, e por fim, jantei e dormi em Paysandu, na fronteira, porque a fila para passar para a Argentina estava de doer. Era dia 14, fim de vacaciones. Todo mundo resolveu voltar àquele horário.

Então foi melhor relaxar e ver cenas diferentes, como um ritual de santeria nas margens do rio, ou crianças que brincavam, burlando a segurança do lugar,

ou cenas do cotidiano pelos arredores,

e finalizar o dia tomando uma cerveja e de quebra, assistindo a um vento frio e rápido, que tomou conta do lugar por alguns minutos. Para mim, que só conheço brisa de praia, confesso que deu medo.
Na volta, pela estrada, uma cena que nunca tinha visto: helicópteros desarmados, sendo carregados em uma carroceria. Ah, são muitos os pedágios dentro do Uruguay. Custam algo em torno de seis reais cada, ou três dólares. Sao cinco na viagem de Colônia para Montevídeo e de lá para Argentina por Paysandu. E na ponte, um deles, mais caro um pouco, 20 pesos argentinos, algo em torno de cinco dólares. Mas vale a pena, estradas bem sinalizadas, sem burracos e com placas que indicam ajuda mecânica, caso precisemos, além, claro, de ajuda de carros de polícia caminhoneira (rodoviária), que atende já em ambulância.

Tango... só com alguém da cidade


Visitar uma cidade e não se sentir um turista. Essa sensação vivi quando fui a uma praça, no bairro de San Telmo, Plaza Dorrego, depois das 22hs e havia um monte de gente dançando. Havia vários ritmos, todos muito alegres e também havia tango. Mas não era tango espetáculo, era tango para povo argentino e tinha algo mais, como um prazer por dominar o ritmo de seu próprio país. E eu cai na dança, mesmo sem saber dançar.
Já tinha ido a tal praça, na tarde de domingo, e era só para turistas, com feira de antiguidades, bares cheios, movimento de gente falando diferentes línguas, artistas se apresentando, cantando, dançando, com fantoches... tudo muito ´mise en scene´. Mas quando retornei, para ver o tango natural, parecia que o povo havia recuperado a praça, como espaço de diversão local, sem o aparato necessário para conquistar e impressionar os turistas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A China é do tamanho do mundo


Três capitais em continente americano e este é o terceiro bairro chino que visito (Lima, Havana e agora Buenos Aires)...

A presença ds chineses é forte no mundo latino. Adoro suas lojas, com tantos detalhes, objetos espiritualistas, decorativos, suas iguarias... Buenos Aires tem muitos resturantes chineses e a presença dos orientais se faz mais bela também com o presente dos japoneses, na década de 70, o Jardim Japonês, no bairro de Palermo.

Eles morrem mas suas histórias estão mui vivas



A visita ao bairro da Recoleta, em Buenos Aires, merece um post à parte. Um bairro com muita magia. O cemitério da recoleta é uma aula de história à parte. Existem guias, mas eu fui muito bem acompanhada, com meu querido amigo Becquer Casaballe, que além de fotógrafo, historiador, periodista é um homem muito inteligente. E ele me contou histórias fabulosas sobre alguns personagens que estão enterrados lá. Fatos inusitados, como a menina que foi enterrada viva por conta de algum problema de saúde não detectado e sua avó pediu para abrir o caixão dias depois e ela estava em outra posição. Sua família lhe fez uma homenagem com um túmulo muito bonito.

O túmulo de Evita Peron é o mais enfeitado, cheio de flores. E todo mundo o visita. Muitos dos presidentes da Argentina estão no Recoleta. E muitos eram maçons. Vi belos detalhes de vários túmulos, principalmente dos maçons. Usam muitos símbolos egípcios, gregos, romanos... Suas referências icônicas ligadas à morte e vida eterna são dignas de estudo. Fiquei curiosa sobre determinados símbolos.
Há homens muito poderosos enterrados ali, generais, homens que decidiram sobre a vida de outros homens. Estão lá, em suas lápides e túmulos cercados de mármore italiano, cheios de estátuas. São verdadeiras obras de arte para abrigar restos dos cadáveres. Gostei muito do passeio e em momento algum o ar de cemitério se faz presente, parece sim, um museu.

Em seguida, centro cultural da Recoleta, com várias mostras e exposições, e um jardim de verão para mariposas.


Nao resisti à cabine inglesa






Por fim, sorvete na Freddo, maravilhoso. E um monte de fotos bem tiradas por conta de um profissional como acompanhante!

La Plata

Fui à cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires. A ruta (estrada) pode ser feita com até 130 km por hora. Há pedágios, mas a rodovia é muito boa. Acho um exagero 130km por hora, mas é bem sinalizada e há faixas para quem quer andar mais devagar.
La Plata é planejada, assim como Buenos Aires, que é a Capital Federal, mas em La Plata estamos mesmo no interior. Apenas 60 km de distância, mas parece mais.
A distância verdadeira entre a capital federal e a capital da provincia está no ritmo de seu povo. Tudo muito tranquilo, mas o trânsito mais confuso, onde não se respeita muito a sinalização. Como entender porque Buenos Aires não é a capital de sua própria província? Meu amigo Bec me explicou 'La Plata es la Capital de la Provincia de Buenos Aires desde 1980, cuando se produjo la Federalización de la ciudad de Buenos Aires. La Capital Federal es la Ciudad Autonoma de Buenos Aires', segundo ele, com outra capital para a provincia, foi possível gerir melhor as cidades da região e não apenas a metrópole Buenos Aires.

Conheci a Catedral Metropolitana de La Plata. E na Plaza das Quatro Estações, a estátua que simboliza o inverno, com um gestual único, onde os dedos parecem desfazer da Igreja, é um detalhe curioso. A Igreja não utiliza a catedral para suas missas, lá está enterrado uma autoridade que era maçon. Mas utiliza a casa do Pároco, que fopi doada pelos maçons para que os padres possam residir.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Em terras portenhas


Depois de mais de dez anos de planejamento, cá estou eu, em terras portenhas... Cheguei em Buenos Aires e nada me foi surpresa, pelo tanto que lia, que investigava sobre a cidade. Mas confesso que as sensações e prazeres tem sido maiores e melhores.



A primeira visita, seguindo o roteiro que amigos como Indaiara, Sodake e Juliana me indicaram, foi o Café Tortonni... para conhecer e sentir o clima do lugar. Belas luminárias, móveis antigos, muitos quadros, gravuras, peças de arte espalhadas, uma viagem no tempo, pela diversidade de objetos antigos, bem conservados e um café gostoso para acompanhar. Gente nas mesas, a maior parte turistas e pessoas exóticas, interessante de ver. Mas percebi que só iria uma única vez àquele lugar.



Já na primeira noite, no bairro de La Boca, no restaurante El Obrero, o clima de adoração ao Maradona, o barulho das pessoas, os risos, tudo me levou a crer que cheguei a uma cidade que tem vida.
Dia seguinte, caminhei muito. Conheci a Calle Florida, com suas lojas maravilhosas, suas livrarias, em especial O Ateneu, linda, farta de boas obras e de espaços interessantes. Assisti a uma apresentação de uma banda de San Telmo, que neste dia se apresentava na Florida. O grupo mistura jazz e regaae, se chama Jamaicadeiros, muito bom, e mesmo ali, no meio da rua, o som era de muita qualidade, com diversos instrumentos de sopro, bateria, baixo... um dos caras tocava dois instrumentos ao mesmo tempo, todos dançavam, muito legal. Comprei o cd Pequeñas imperfecciones e achei perfeitinho! Só não encontrei nada no YOUTUBE para anexar aqui...pena.

Fui à Plaza de Mayo, fiquei por 40 minutos sentada na escadaria da catedral metropolitana, só observando o ritmo de vida, as pessoas, os turistas, os taxistas e a sua pressa, natural em qualquer cidade. Depois fui fazer turismo, e as fotos onde estou toda torta, ou com rosto muito à frente... isso que dá fazer viagem sozinha. Mas aprendi que preciso andar só para não ficar parada.


No terceiro dia saí a caminhar e fui para Galeria Pacífico. Conheci o Centro Cultural Borges... (é uma homenagem a Jorge Luis Borges, grande poeta, escritor, mas como seria complicado colocar o nome dele, pois já morreu e sua viúva reivindica tudo o que se refere a ele, então ficou só Borges, mas não qualquer Borges...). Vi muitas exposições, é uma galeria muito rica, com materiais em audiovisual, fotografias.
Depois fui a Plaza San Martin. Como os castelhanos cultuam seus heróis. E eu, brasileira de uma geração sem memória, me sinto orfã de heróis.

O tempo, na plaza, tem outro ritmo. Adoro ver gente deitada, lendo, ouvindo música, namorando, conversando, vendo a vida passar... todos desfrutando da praça. Na Bahia não há este hábito, talvez por isso não há amor e cuidado com tais espaços públicos.

No quarto dia saí a caminhar pela Calle Uruguay. Há muitas lojas mais em conta que na Florida, e muita coisa bonita também para ver. Depois segui pela Calle Marcelo T. D´Alvear, nos dois sentidos e fui parar no centro financeiro da cidade.
Depois segui ao contrário, para conhecer a UBA (Universidade de Buenos Aires). Confesso que fiquei meio frustrada. O prédio de Ciências Sociais é bem maltratado. E o programa de doutorado nao é específico em periodismo. Lá estou eu, predestinada a ir a outro país para ver uma universidade que me identifique...


A cada dia escolhia uma Calle ou duas, para conhecer completamente e como Buenos Aires é toda dividida por quadras, planejada, quase toda ela plana, andamos horas numa mesma rua, cruzando a cidade de norte a sul, leste a oeste. Percorri a Calle Gral. Juan Domingo Perón, onde estive hospedada e a Av. Corrientes, onde há muitas tiendas de livros usados, uma maravilha.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Coisas que observei no caminho

Cuba é um mundo à parte. Fiquei numa residência credenciada para receber turistas. Casa grande e bonita. Tudo muito antigo, mas muito bem cuidado.
Também há muito cuidado nas palavras do Cubano, quando conversam conosco, brasileiros. Falam muito de cultura, de turismo, mas pouco de política, achei natural. Mas sentem e sabem de nossa curiosidade.
A caravana de Raul cruzou a cidade. Eu, curiosa, queria ver tudo. A dona da casa me pediu que não ficasse espiando. Não era bom para a casa dela, que alguém ficasse nas grades observando o carro do presidente passar. Eu estranhei. Fosse aqui, todos queriam saudar o presidente. Eu seria a primeira a acenar. Lá, contida, fiquei atrás de algumas plantas de um jardim suspenso, observando os carros da comitiva do general Raul Castro, pensando: em algum desses carros está o quarto homem mais forte da Revolução. Sim, porque estive no Museu da Revolução e vi Raul em todas as fotos, sempre próximo de Fidel, Che e Cienfuegos. Ele está lá, não porque é irmão de Fidel, mas por direito, a Revolução também veio pelas suas mãos. A nossa imprensa vende a ideia que Raul é puro nepotismo de Fidel. Depois de ver as fotos antigas da Revolução, sem medo de errar, eu diria que Raul está onde a história o contempla: o cargo de comandante na mão do mais novo do grupo combatente. **** Outra observação de uma turista atenta: fiquei impressionada com a musicalidade do cubano. Em todo canto, em toda esquina, escutam música e de qualidade. As crianças são educadas na escola para terem musicalidade. E se tiverem apenas três pessoas reunidas para cantar, vão congregar um instrumento de corda, outro percussivo e outro de sopro... E a alegria do cubano tanto em cantar quanto em dançar é contagiante. Momento único: dia do aniversário 50 da Revolução, em frente ao Hotel Inglaterra, um grupo cantava de forma linda uma música dedicada a El Che. Comandante Che Guevara, do grupo mais famoso, Buena Vista Social Club. Adorei. Dancei, cantei e agradeci a Deus momento tão rico. 'Aprendimos a quererte, desde la histórica altura, donde el sol de tu bravura le puso cerco a la muerte. Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia. De tu, querida presencia, comandante CHE GUEVARA. Tu mano gloriosa y fuerte sobre la historia dispara, cuando todo Santa Clara se despierta para verte. Vienes quemando la brisa con soles de primavera. Para plantar la bandera con la luz de tu sonrisa. Tu amor revolucionario, Te conduce a nueva empresa, Donde espera la firmeza De tu brazo libertario. Seguiremos adelante, Como junto a tí seguimos, Y con Cuba te decimos: Hasta siempre COMANDANTE!'

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Conservando o que já existe

Logo nos primeiros dias em Cuba, eu me deparei com uma realidade econômica que modifica o comportamento humano afetivo. Lá, por conta do embargo, não há a possibilidade de comprar e consumir. Explico melhor com um exemplo. Onde me hospedei, havia muitos móveis antigos, colchões e travesseiros velhos, muita coisa com pelo menos 3, 4, 5 décadas de uso, que se fosse no Brasil, já teriam sido trocadas. Tudo muito conservado, em ótimas condições, sem rasgões, sem furos, com aparência de bem cuidado, ainda que velho.
Acabei me acostumando, nos onze dias naquele país, a ver tudo com os olhos da conservação. Nos carros lindos que vi na rua, da década de 50, 60... nos detalhes das casas, nos utensílios de cozinha... tudo me remetia ao antigo, ao passado.
E aos poucos fui percebendo como aquele povo lida com essa impossibilidade de consumir, de trocar o velho pelo novo, de simplesmente jogar fora o que já tá com cara de usado, porque a novidade se faz anunciar pela publicidade do descartável.
Há, no capitalismo selvagem que vivemos, a descartabilidade inerente ao consumo. A falta de cuidado e conservação, além do exercício da recuperação do que tá estragado e a reciclagem. O que não percebemos é que esse comportamento consumista que troca tudo, faz com que tenhamos uma atitude assim para com a cultura, valores, pessoas. Em Cuba percebi mais humanidade, solidariedade e preocupação com o outro e tenho cá pra mim, essa distância do consumismo é que torna aquele povo tão especial.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Olhos por todos os lados

Ainda no Brasil me avisaram para ter muito cuidado na hora de perguntar sobre o cotidiano das pessoas em Cuba.
Na terra de Fidel, todos sabem, há 'olheiros' em todos os cantos e o povo cubano sabe onde o calo dói, não fica se expondo por aí, falando o que não deve.
Então cheguei cheia de dedos, procurando observar mais do que falar. Eu, repórter por onze anos, tenho essa mania de sair perguntando tudo. As vezes sou até indiscreta sem perceber. Ossos do ofício. Mas em Cuba eu me controlei, pelo menos no início.
Logo nos primeiros dias percebi que os cubanos são muito alegres, gostam de conversar, sabem muito sobre cultura, música, novelas e filmes brasileiros e procuram falar conosco sobre nosso universo. Então esses foram os temas das conversas iniciais.
Sobre política, educação, saúde, só conversei com uma pessoa, que por sinal é uma colaboradora do Governo e dela tive as melhores impressões possíveis.
Mas lá pelo sexto dia em Cuba, depois de perceberem que eu não era alguém perigoso, foi possível escutar revelações.
Sim, o Cubano tem consciência que é um povo que tem oportunidade de estudar, lá ninguém paga aluguel. O gás de cozinha, a energia elétrica e a água encanada das casas, tudo é muito barato se comparado com o Brasil. Vi um casal que se separou e eram amigos. O governo deu casa pros dois, dá comida aos dois, mantém a filha com a melhor educação possível, então eles não tem porque brigar. O amor acabou. Cada um seguiu seu rumo. E são amigos. No Brasil a maior parte das brigas é por conta de pensão e partilha de bens. Mas há quem esteja triste. Encontrei pessoas que se impotentes por não terem condições de escolher onde morar, que se sentem mal remuneradas pelo trabalho que desempenham e que se queixam de não terem oportunidade de empregos melhores.
Conheci uma moça que estava se preparando pra casar com um senhor, pelo menos 30 anos mais velho que ela, e sem fazer pré-julgamentos, percebia-se que era a oportunidade de mudança, porque ela era cubana e ele era italiano e a levaria embora.
Uma outra moça, com menos atributos físicos que a jovem sortuda, me disse: 'tudo o que eu queria era alguém que me levasse embora'. Ela estudou, mas por falta de oportunidade estava trabalhando como empregada doméstica.
Conheci um moço que também estudou, mas que no momento, também estava em um emprego mal remunerado. Conhecia a Itália, pois tinha parentes que pagaram a passagem dele naquele país. Conhecia outros universos e sabia que Cuba o limitava muito. Tinha consciência do embargo, do quanto a economia cubana era prejudicada e por consequência, quem sofria era o povo. E discordava de muita coisa do regime cubano.
Eu ouvi aquelas confissões e me perguntei: meu Deus, que diferença faz a educação de um povo. Pois você conversa com pessoas que estão nas mais diferentes funções, situações, e percebe uma capacidade para análise e reflexão, um elevado conhecimento político, que no Brasil não se acha fácil.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Soles, dólares, euros, pesos, reais...

Quanto vale uma lata de coca-cola?
Quanto vale sua sede???

Bebi coca-cola em Lima - uma lata custou pouco mais de três soles, lá um dólar, mas em reais, próximo a dois e cinquenta, na época. Bebi muuuuuuuita coca-cola em Lima, porque não imaginava encontrar coca-cola em Cuba, pra onde seguiria depois.

E dito e certo. Por dias não vi uma única coca-cola em Havana.
Vi refrigerantes de cola (tropicola, a oficial, e outras que nem me dei ao trabalho de gravar o nome...), mas nada de coca-cola.

Ia passar dez dias em terras cubanas e no quinto dia, em um hotel de luxo (que só entrei para visitar e trocar dinheiro - euros por pesos cubanos), vi coca-cola em lata. Um turista bebia aquela maravilha.
Eu, também turista, nem perguntei quanto era... ai que saudade daquele sabor, do gás que é só dela.
Nunca bebi uma coca-cola como aquela. Foi indescritível meu prazer. E mais, bebia uma coca-cola produzida no méxico. Não sei, mas me senti burlando o embargo. Sim, em Cuba há produtos tipicamente americanos. Mesmo que produzidos em outro país que não os EUA. Cultura é cultura e coca-cola pra mim, é pura América do Norte como difusora de um modo de vida que já se provou ineficiente, porém cheio de sabores.
Lá fui eu pagar o preço do meu desejo. Três pesos cubanos, quase o equivalente a três euros (naqueles dias um euro beirava os três reais).
Sim, paguei nove reais por uma latinha de coca-cola, que no Brasil é possível se achar por 90 centavos no mercado, ou R$1,50 (um real e cinquenta centavos) em botecos.
Estranhei o valor mas reconheci que foi um achado e tudo tem seu preço, até mesmo os desejos do capitalismo em Cuba.

Nos outros dias não tive coragem de repetir a dose, fiquei nos mojitos, nos drinques, e nos sucos (de caixinha), na maravilhosa cerveja Bucanero e na cerveja produzida na Muralha.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Em terra estrangeira, eu sou a diferente...

Meu olhar baiano achou tudo diferente, sem me dar conta de que a estranha era eu.
Sim, somos os 'estrangeiros', com roupas, gestos, vocabulário, sotaque, tudo estranho ao povo que nos recebe.
E para cometermos 'gafes' basta não estar antenado com os hábitos locais. Agora consigo achar graça do que aconteceu comigo, mas na hora...

No primeiro dia em Lima, o maior sol, um calor infernal durante o dia, vi pessoas na rua com shorts, bermudas e blusas cavadas (devia estar por volta dos 30, 32 graus). Na primeira noite, após colocar uma bermuda curta e uma blusa decotada e sair do hotel, de taxi, para uma outra localidade, vi que tinha escolhido a roupa errada...
a temperatura havia caído (não devia estar mais que 19 graus) , as mulheres estavam com roupas de meia estação, ninguém de pernas ou braços de fora, e eu... eu parecia um ser estranho. Todo mundo me olhava. Talvez parecesse uma garota de programa propagandeando o corpo...
A sensação de estar chamando a atenção em um país estranho, foi horrível. Fiquei deslocada e quis voltar logo após o jantar para o hotel.
Aposentei roupas curtas e decotadas durante a viagem e ficou a lição.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Praias de pedras

Confesso que fiquei deslumbrada com o fato de ver um outro oceano. Eu já me imaginei cruzando o Atlântico, mas nunca tive vontade de ir pras bandas do pacífico.
E de repente, lá estava eu, de cara com outro mar, de outras texturas de praias, de outros pássaros e outros ventos...
Pacífico Sul.

Eu me senti ainda menor, do que o ser pequeno que sempre se apresenta diante do mar das minhas praias. Sempre achei o Atlântico tão magestoso.
Que fazer então diante de outro mar, tão imenso e misterioso?
reverenciar?

Pois o respeito foi grande, e as descobertas de cores, cheiros e formas também...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um trânsito 'animal'

O taxi parou na calçada, entrei. O motorista então, sem prestar muita atenção na via, saiu da direita bruscamente, foi para a esquerda e fez uma conversão super perigosa. Só escutei a voz de outro motorista, com sotaque castelhano, gritando ' animal' , desviando irritado.
Foi só mais um susto no trânsito de Lima.
Uma frota grande de carros velhos, ruas sem demarcação de faixas, muitos motoristas que não sabem pra que servem os sinalizadores...
Lima tem um trânsito caótico. Fiquei nervosa andando a pé, com medo de ser atropelada e também de taxi, nas constantes idas e vindas de Miraflores para o resto da cidade.
Para quem está pensando em conhecer Lima, se liga nos custos de taxi...
Do aeroporto para Miraflores, 20 dólares (60 soles - moeda local - dezembro de 2008). Mas de Miraflores para o aeroporto, economia ( 30 soles). É difícil negociar no aeroporto. Os taxistas de lá querem mais é explorar turista.
Já de Miraflores para o centro histórico de Lima ( 20 soles). E dentro de Miraflores, pra cima e pra baixo, não mais que 5 soles. Um dólar estava cotado a três soles.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um parque de amor


Uma escultura de um casal se beijando ardentemente no meio de um parque. Quer algo mais romântico?
Lima, Miraflores, Parque del Amor...

Sim, aqui é permitido namorar, com beijos à vontade, porque tudo sugere romance.
E quem está sozinho, se sente a mais infeliz das criaturas....
De frente para o Pacífico, rodeado de mosaicos coloridos e com poemas românticos. Florido e bem cuidado. Um lugar encantador na capital peruana.