segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Coisas que observei no caminho

Cuba é um mundo à parte. Fiquei numa residência credenciada para receber turistas. Casa grande e bonita. Tudo muito antigo, mas muito bem cuidado.
Também há muito cuidado nas palavras do Cubano, quando conversam conosco, brasileiros. Falam muito de cultura, de turismo, mas pouco de política, achei natural. Mas sentem e sabem de nossa curiosidade.
A caravana de Raul cruzou a cidade. Eu, curiosa, queria ver tudo. A dona da casa me pediu que não ficasse espiando. Não era bom para a casa dela, que alguém ficasse nas grades observando o carro do presidente passar. Eu estranhei. Fosse aqui, todos queriam saudar o presidente. Eu seria a primeira a acenar. Lá, contida, fiquei atrás de algumas plantas de um jardim suspenso, observando os carros da comitiva do general Raul Castro, pensando: em algum desses carros está o quarto homem mais forte da Revolução. Sim, porque estive no Museu da Revolução e vi Raul em todas as fotos, sempre próximo de Fidel, Che e Cienfuegos. Ele está lá, não porque é irmão de Fidel, mas por direito, a Revolução também veio pelas suas mãos. A nossa imprensa vende a ideia que Raul é puro nepotismo de Fidel. Depois de ver as fotos antigas da Revolução, sem medo de errar, eu diria que Raul está onde a história o contempla: o cargo de comandante na mão do mais novo do grupo combatente. **** Outra observação de uma turista atenta: fiquei impressionada com a musicalidade do cubano. Em todo canto, em toda esquina, escutam música e de qualidade. As crianças são educadas na escola para terem musicalidade. E se tiverem apenas três pessoas reunidas para cantar, vão congregar um instrumento de corda, outro percussivo e outro de sopro... E a alegria do cubano tanto em cantar quanto em dançar é contagiante. Momento único: dia do aniversário 50 da Revolução, em frente ao Hotel Inglaterra, um grupo cantava de forma linda uma música dedicada a El Che. Comandante Che Guevara, do grupo mais famoso, Buena Vista Social Club. Adorei. Dancei, cantei e agradeci a Deus momento tão rico. 'Aprendimos a quererte, desde la histórica altura, donde el sol de tu bravura le puso cerco a la muerte. Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia. De tu, querida presencia, comandante CHE GUEVARA. Tu mano gloriosa y fuerte sobre la historia dispara, cuando todo Santa Clara se despierta para verte. Vienes quemando la brisa con soles de primavera. Para plantar la bandera con la luz de tu sonrisa. Tu amor revolucionario, Te conduce a nueva empresa, Donde espera la firmeza De tu brazo libertario. Seguiremos adelante, Como junto a tí seguimos, Y con Cuba te decimos: Hasta siempre COMANDANTE!'

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Conservando o que já existe

Logo nos primeiros dias em Cuba, eu me deparei com uma realidade econômica que modifica o comportamento humano afetivo. Lá, por conta do embargo, não há a possibilidade de comprar e consumir. Explico melhor com um exemplo. Onde me hospedei, havia muitos móveis antigos, colchões e travesseiros velhos, muita coisa com pelo menos 3, 4, 5 décadas de uso, que se fosse no Brasil, já teriam sido trocadas. Tudo muito conservado, em ótimas condições, sem rasgões, sem furos, com aparência de bem cuidado, ainda que velho.
Acabei me acostumando, nos onze dias naquele país, a ver tudo com os olhos da conservação. Nos carros lindos que vi na rua, da década de 50, 60... nos detalhes das casas, nos utensílios de cozinha... tudo me remetia ao antigo, ao passado.
E aos poucos fui percebendo como aquele povo lida com essa impossibilidade de consumir, de trocar o velho pelo novo, de simplesmente jogar fora o que já tá com cara de usado, porque a novidade se faz anunciar pela publicidade do descartável.
Há, no capitalismo selvagem que vivemos, a descartabilidade inerente ao consumo. A falta de cuidado e conservação, além do exercício da recuperação do que tá estragado e a reciclagem. O que não percebemos é que esse comportamento consumista que troca tudo, faz com que tenhamos uma atitude assim para com a cultura, valores, pessoas. Em Cuba percebi mais humanidade, solidariedade e preocupação com o outro e tenho cá pra mim, essa distância do consumismo é que torna aquele povo tão especial.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Olhos por todos os lados

Ainda no Brasil me avisaram para ter muito cuidado na hora de perguntar sobre o cotidiano das pessoas em Cuba.
Na terra de Fidel, todos sabem, há 'olheiros' em todos os cantos e o povo cubano sabe onde o calo dói, não fica se expondo por aí, falando o que não deve.
Então cheguei cheia de dedos, procurando observar mais do que falar. Eu, repórter por onze anos, tenho essa mania de sair perguntando tudo. As vezes sou até indiscreta sem perceber. Ossos do ofício. Mas em Cuba eu me controlei, pelo menos no início.
Logo nos primeiros dias percebi que os cubanos são muito alegres, gostam de conversar, sabem muito sobre cultura, música, novelas e filmes brasileiros e procuram falar conosco sobre nosso universo. Então esses foram os temas das conversas iniciais.
Sobre política, educação, saúde, só conversei com uma pessoa, que por sinal é uma colaboradora do Governo e dela tive as melhores impressões possíveis.
Mas lá pelo sexto dia em Cuba, depois de perceberem que eu não era alguém perigoso, foi possível escutar revelações.
Sim, o Cubano tem consciência que é um povo que tem oportunidade de estudar, lá ninguém paga aluguel. O gás de cozinha, a energia elétrica e a água encanada das casas, tudo é muito barato se comparado com o Brasil. Vi um casal que se separou e eram amigos. O governo deu casa pros dois, dá comida aos dois, mantém a filha com a melhor educação possível, então eles não tem porque brigar. O amor acabou. Cada um seguiu seu rumo. E são amigos. No Brasil a maior parte das brigas é por conta de pensão e partilha de bens. Mas há quem esteja triste. Encontrei pessoas que se impotentes por não terem condições de escolher onde morar, que se sentem mal remuneradas pelo trabalho que desempenham e que se queixam de não terem oportunidade de empregos melhores.
Conheci uma moça que estava se preparando pra casar com um senhor, pelo menos 30 anos mais velho que ela, e sem fazer pré-julgamentos, percebia-se que era a oportunidade de mudança, porque ela era cubana e ele era italiano e a levaria embora.
Uma outra moça, com menos atributos físicos que a jovem sortuda, me disse: 'tudo o que eu queria era alguém que me levasse embora'. Ela estudou, mas por falta de oportunidade estava trabalhando como empregada doméstica.
Conheci um moço que também estudou, mas que no momento, também estava em um emprego mal remunerado. Conhecia a Itália, pois tinha parentes que pagaram a passagem dele naquele país. Conhecia outros universos e sabia que Cuba o limitava muito. Tinha consciência do embargo, do quanto a economia cubana era prejudicada e por consequência, quem sofria era o povo. E discordava de muita coisa do regime cubano.
Eu ouvi aquelas confissões e me perguntei: meu Deus, que diferença faz a educação de um povo. Pois você conversa com pessoas que estão nas mais diferentes funções, situações, e percebe uma capacidade para análise e reflexão, um elevado conhecimento político, que no Brasil não se acha fácil.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Soles, dólares, euros, pesos, reais...

Quanto vale uma lata de coca-cola?
Quanto vale sua sede???

Bebi coca-cola em Lima - uma lata custou pouco mais de três soles, lá um dólar, mas em reais, próximo a dois e cinquenta, na época. Bebi muuuuuuuita coca-cola em Lima, porque não imaginava encontrar coca-cola em Cuba, pra onde seguiria depois.

E dito e certo. Por dias não vi uma única coca-cola em Havana.
Vi refrigerantes de cola (tropicola, a oficial, e outras que nem me dei ao trabalho de gravar o nome...), mas nada de coca-cola.

Ia passar dez dias em terras cubanas e no quinto dia, em um hotel de luxo (que só entrei para visitar e trocar dinheiro - euros por pesos cubanos), vi coca-cola em lata. Um turista bebia aquela maravilha.
Eu, também turista, nem perguntei quanto era... ai que saudade daquele sabor, do gás que é só dela.
Nunca bebi uma coca-cola como aquela. Foi indescritível meu prazer. E mais, bebia uma coca-cola produzida no méxico. Não sei, mas me senti burlando o embargo. Sim, em Cuba há produtos tipicamente americanos. Mesmo que produzidos em outro país que não os EUA. Cultura é cultura e coca-cola pra mim, é pura América do Norte como difusora de um modo de vida que já se provou ineficiente, porém cheio de sabores.
Lá fui eu pagar o preço do meu desejo. Três pesos cubanos, quase o equivalente a três euros (naqueles dias um euro beirava os três reais).
Sim, paguei nove reais por uma latinha de coca-cola, que no Brasil é possível se achar por 90 centavos no mercado, ou R$1,50 (um real e cinquenta centavos) em botecos.
Estranhei o valor mas reconheci que foi um achado e tudo tem seu preço, até mesmo os desejos do capitalismo em Cuba.

Nos outros dias não tive coragem de repetir a dose, fiquei nos mojitos, nos drinques, e nos sucos (de caixinha), na maravilhosa cerveja Bucanero e na cerveja produzida na Muralha.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Em terra estrangeira, eu sou a diferente...

Meu olhar baiano achou tudo diferente, sem me dar conta de que a estranha era eu.
Sim, somos os 'estrangeiros', com roupas, gestos, vocabulário, sotaque, tudo estranho ao povo que nos recebe.
E para cometermos 'gafes' basta não estar antenado com os hábitos locais. Agora consigo achar graça do que aconteceu comigo, mas na hora...

No primeiro dia em Lima, o maior sol, um calor infernal durante o dia, vi pessoas na rua com shorts, bermudas e blusas cavadas (devia estar por volta dos 30, 32 graus). Na primeira noite, após colocar uma bermuda curta e uma blusa decotada e sair do hotel, de taxi, para uma outra localidade, vi que tinha escolhido a roupa errada...
a temperatura havia caído (não devia estar mais que 19 graus) , as mulheres estavam com roupas de meia estação, ninguém de pernas ou braços de fora, e eu... eu parecia um ser estranho. Todo mundo me olhava. Talvez parecesse uma garota de programa propagandeando o corpo...
A sensação de estar chamando a atenção em um país estranho, foi horrível. Fiquei deslocada e quis voltar logo após o jantar para o hotel.
Aposentei roupas curtas e decotadas durante a viagem e ficou a lição.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Praias de pedras

Confesso que fiquei deslumbrada com o fato de ver um outro oceano. Eu já me imaginei cruzando o Atlântico, mas nunca tive vontade de ir pras bandas do pacífico.
E de repente, lá estava eu, de cara com outro mar, de outras texturas de praias, de outros pássaros e outros ventos...
Pacífico Sul.

Eu me senti ainda menor, do que o ser pequeno que sempre se apresenta diante do mar das minhas praias. Sempre achei o Atlântico tão magestoso.
Que fazer então diante de outro mar, tão imenso e misterioso?
reverenciar?

Pois o respeito foi grande, e as descobertas de cores, cheiros e formas também...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um trânsito 'animal'

O taxi parou na calçada, entrei. O motorista então, sem prestar muita atenção na via, saiu da direita bruscamente, foi para a esquerda e fez uma conversão super perigosa. Só escutei a voz de outro motorista, com sotaque castelhano, gritando ' animal' , desviando irritado.
Foi só mais um susto no trânsito de Lima.
Uma frota grande de carros velhos, ruas sem demarcação de faixas, muitos motoristas que não sabem pra que servem os sinalizadores...
Lima tem um trânsito caótico. Fiquei nervosa andando a pé, com medo de ser atropelada e também de taxi, nas constantes idas e vindas de Miraflores para o resto da cidade.
Para quem está pensando em conhecer Lima, se liga nos custos de taxi...
Do aeroporto para Miraflores, 20 dólares (60 soles - moeda local - dezembro de 2008). Mas de Miraflores para o aeroporto, economia ( 30 soles). É difícil negociar no aeroporto. Os taxistas de lá querem mais é explorar turista.
Já de Miraflores para o centro histórico de Lima ( 20 soles). E dentro de Miraflores, pra cima e pra baixo, não mais que 5 soles. Um dólar estava cotado a três soles.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um parque de amor


Uma escultura de um casal se beijando ardentemente no meio de um parque. Quer algo mais romântico?
Lima, Miraflores, Parque del Amor...

Sim, aqui é permitido namorar, com beijos à vontade, porque tudo sugere romance.
E quem está sozinho, se sente a mais infeliz das criaturas....
De frente para o Pacífico, rodeado de mosaicos coloridos e com poemas românticos. Florido e bem cuidado. Um lugar encantador na capital peruana.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Riqueza de sabores


Nos onze anos como repórter em cidades e estados diferentes (Cuiabá - MT; Campo Grande, Ponta Porã e Dourados - MS; Petrolina- PE, Juazeiro, Feira de Santana, Ilhéus e Itabuna -BA e a breve passagem por Salvador e Rio de Janeiro), sempre percebi que a alma de um lugar está nas comidas e na sua gente, no povo que labuta nas ruas.

Que lugar melhor que as feiras livres ou os mercados municipais, como oportunidade de conhecer realmente como vive o povo daquele lugar?

Se o negócio é sair do roteiro turístico, o mercado municipal de Lima, para conhecer frutas diferentes, sabores diferentes e ver sua gente de perto é a melhor opção.

Sim, no Brasil estranhei cheiros e formas, imagine numa terra estranha?

Provei e aprovei: suco de milho roxo (chicha morada), milho de grãos enormes (choclos), ceviche (frutos do mar, marinados no limão e bem temperados), melão mirim de cor bem alaranjada (bonito mas sem graça), o primo doce do maracujá (a granadija), fruto de cactus - pitaia (bem tenro, mas cheio de sementes em sua polpa). Nos restaurantes provei carnes diferentes (com ervas e ingredientes apimentados), e purês de papas (batatas) com temperos e cores variadas também. Enfim... uma festa de sabores. Gostei da culinária peruana. É rica e criativa.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mira as flores





Lima também é moderna, é bonita, é feita pra turismo. O Distrito de Miraflores é uma síntese do quanto a capital peruana tem sido preparada para receber o olhar estrangeiro e impressionar.














Um lugar limpo, cheio de policiais (teoricamente seguro, nessa megametrópole com mais de 8 milhões de habitantes), com prédios modernos, parques, cassinos e shoppings.


Gente bonita, bem vestida, restaurantes que oferecem as iguarias peruanas com qualidade e bom gosto. No detalhe, um ceviche, prato típico, que pode ser encontrado em todos os lugares da capital, mas que em Miraflores ganha requinte no Restaurante Tanta.




Claro que tudo isso tem um preço. Os hotéis em Miraflores não são baratos. Os mais em conta ficam em torno de 90, 100 dólares a diária, mas oferecem apenas o básico.




Miraflores me deixou fascinada com o colorido, lojas abertas até tarde, muitas delas oferecendo artesanato de qualidade (a artesania peruana é bela). Também gostei de ver flores e jardins bem cuidados nessa cidade sem chuva.




Mas Miraflores é para poucos peruanos, uma elite trafega e mora por ali.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Lima do histórico e do antigo



A capital do Peru é uma viagem ao passado. A cidade de 'los reyes' ainda guarda riquezas e tesouros. A presença espanhola em todo o centro de Lima é marcante.
Nos prédios, igrejas, monumentos, museus, muito se faz referência aos colonizadores.
Em 1988 ela foi reconhecida Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO e não sem motivo.
Há, ainda no centro histórico, o Parque de La Muralha, onde pode-se ver ruínas de períodos pré-colombianos, outra raridade da capital peruana.Ir a Lima é uma aula de como os espanhóis agiram ao chegar nas Américas. Uma aula viva!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A cidade sem telhados


Lima quase não vê chuva, as casas, em sua maioria, são sem reboco nas laterais e sem telhados ou coberturas além de uma simples laje. O olhar estrangeiro se pergunta, ao pisar naquela cidade, porque tantas casas parecem inacabadas?
Se não chove, então pra que se preocupar com telhados, calhas e coberturas que sirvam para escoar água?
Sim, a cidade sem telhados tem lógica, mas, esteticamente, tudo parece sem harmonia.
Imagine prédios construídos com esmero em sua fachada, mas que ainda têm ferros e colunas à vista nas coberturas? e esses terraços por terminar predominam em toda a parte moderna da cidade. Ah olhar de fotógrafa, que busca a harmonia... mas o que é a harmonia senão um costume estético? tudo muito questionável, em mim...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cinza, névoa e poeira


Nunca tinha visto um lugar que quase nunca chove. E me surpreendi com a densa névoa e o tom de cinza que tem a capital do Peru.
A chuva tem seus encantos e um deles é limpar o ambiente e realçar as cores.
Em Lima, as casas têm uma grossa camada de poeira nos vidros, nas paredes. Não vi paredes brancas, vi paredes amarronzadas pela sujeira acumulada.

Na última manhã naquele país, uma frente fria. Tudo estava coberto com pingos de água, que me lembraram orvalho. Mas não era. Os funcionários do hotel disseram que tinha muito tempo que não chovia essas pequenas gotas. Fiquei feliz. Choveu onde quase nunca chove e eu vi! Que a água limpe um pouco desse ar daqui...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Meu olhar estrangeiro


Vi tanta areia, andei...
Eu já viajei muito pelo Brasil, morei em quatro estados diferentes, em onze cidades, e como fui repórter em oito diferentes regiões, conheci trocentas cidades em viagens para fazer reportagens. Até pouco tempo, eu não tinha muita vontade de por os pés lá fora.
Quando morei em Cuiabá, fui à Bolívia. Vi a pobreza dos arredores de San Mathias. E quando morei em Mato Grosso do Sul, em Dourados e em Ponta Porã, vivia com um pé no Paraguai. Mas essas saidinhas do Brasil não foram consideradas como viagens ao exterior. E não foram mesmo, porque não vivenciei a cultura dos paraguaios nem tampouco dos bolivianos, apesar de ter ficado um mês em um hotel onde todos só falavam castelhano e guarani.

Mas agora foi diferente. Lima, no Peru, foi uma revelação aos meus olhos estrangeiros, de uma América do Sul da qual faço parte e ao mesmo tempo tenho pouca ou quase nenhuma identificação.
E Cuba, no Caribe, com seu regime único e resistente ao capitalismo mundial, foi surpreendente.

Por isso senti necessidade de criar esse espaço de registro. Dos meus caminhos e destinos com esse meu olhar estrangeiro.