quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Manhattan sul americana



Hoje fui a Puerto Madero e ao Palermo Soho. Dois bairros muito chiques de Buenos Aires. Prédios enormes no primeiro, restaurantes caros. No segundo, lojas de griffes famosas, um charme de lugar onde circula muito dinheiro. Tudo muito bonito, seguro, arrumado.
No primeiro, me encantou a Ponte da Mulher e a decoraçao que aproveitou todas as estruturas do velho porto. Foi uma revitalização do lugar. Um prazer imenso andar por ali.

El Che...

Ele nasceu na Argentina, viajou pela América do Sul, morou em Cuba, onde ajudou a transformar a política do país e morreu na Bolívia.
Ganhei um documentário de produção ítalo-cubana onde ouvi seus discursos e me apaixonei.
Visitei Cuba, Bolívia, Paraguai, Argentina e o Uruguay. Moro no Brasil. Há tanto que me separa dele. Sua língua, sua visão de mundo, sua coragem. Era um guerreiro. Talvez não fosse o ingênuo romântico que se vende nos filmes hollywodianos... mas um amigo uruguayo, historiador, me contou que foi um bravo até o último momento. Sempre gosto de ouvir as histórias de El Che.
Os Cubanos o idolatram. Os brasileiros o admiram. Talvez quisessem ter um herói moderno como ele.
Mas nos outros países de lingua latina que visitei, El Che não é tao cultuado quanto eu imaginava.
Nao vi na Argentina um só monumento a ele. Vi uns poucos retratos públicos, duas ou três pessoas com tatuagens de seu rosto, mas nada muito significativo...



Já em Cuba há a presença dele em todo lugar, embora nos bastidores se acredita que Fidel tenha ficado aliviado quando ele se foi. Ele ofuscava o brilho de todos.
No Uruguay vi uma Plaza, abandonada, talvez fosse melhor que nem existisse...



Sinto saudades desse homem que morreu antes de eu nascer...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Comidas, comidas...


Confesso que nunca comi tanta carne como agora na Argentina e Uruguay. Nao é à toa que vi tanto rebanho variado pelos mais de 700 km que percorri, quando saí de Colônia do Sacramento para Montevideo, e depois voltei para Buenos Aires passando por San José, Trinidad e Paysandu. Era muito gado... destinado à parrilla (churrasco).
E, claro, estando em um país, precisamos provar o que ele oferece. Pamplona de lomo, ou de pomo, ou de cerdo... deliciosos, carne enrolada com temperos variados, ervas, queijo...
Morcilla, uma linguiça preta, feita com sangue de porco, de sabor forte. Provei testículos de boi...
Bife Chourizo, enrolado com presunto e queijo.
Comi muitas papas (fritas, purê, assadas...), de maneira geral, os países latinos utilizam muito a batata para acompanhar as carnes.
Para quem quer dica de comida barata... em Buenos Aires se come bem com 30 pesos argentinos ( o equivalente a 15 reais ou 8 dólares). Mas se gostar de vinho, vai precisar de um pouco mais ( nos restaurantes eles custam 30 pesos, vinhos simples, mas de boa qualidade). Durante o almoço, como não abro mão de vegetais, acabei optando pelos restaurantes chineses, que cobram entre 20 e 30 pesos. Achei dois bons restaurantes chineses na rua Peron, onde fiquei hospedada, no centro de Buenos Aires. O melhor deles, o Bambu, tem variadas saladas e petiscos chineses maravilhosos.
Bom mesmo é o restaurante do Jardim Japonês. E o ambiente é lindo.
Já uma pizza, vale a dos Imortalles, na avenida Corrientes, próxima a Calle Uruguay, no centro de Buenos Aires, no Bairro San Nicolas.

Já em Montevideo, obrigatório uma ida ao Mercado do Puerto, onde há diversos restaurantes. Iguarias maravilhosas!!!!

Em Montevideo




A capital do Uruguay é aconchegante, pequena, fácil de andar. Atrações? sim, praia, muitas!!! e prédios lindos para a gente visitar.


A Fortaleza General Artigas, construída no Cerro de Montevideo, imponente e bela, fica no ponto mais alto da cidade, distante do centro. De lá se vê Montevideo pequenina, rodeada pelas aguas do Estuário del Plata.


O Palacio Legislativo é uma atração, construido em uma área só para ele, reina imponente.

Ida e volta para o Uruguay

Fui de Buenos Aires para o Uruguay de automóvel, mas usando o Ferryboat, da empresa Buquebus, para travessia, saindo de Buenos Aires quase à meia noite. Por pessoa, 127 pesos argentinos. O carro custou 290 pesos (atualmente 150 reais, perto de 80 dólares).

A viagem é muito tranquila, nem parece que estamos em uma embarcação. O Eladia Isabel (nome do barco), é enorme, muito bem estruturado, com serviço 'de primeira', ele nem balança nas águas del Estuario del Plata, no Rio de la Plata.

Comecei minha exploração do Uruguay por Colônia de Sacramento. Acho que nao tinha lugar mais lindo para começar. Colônia é uma cidade histórica, patrimônio da humanidade. Linda, pequena, preservada, com suas casinhas do século XVII, intactas, coisa rara.




Quando foi criada, pelos portugueses, era a única vila de origem portuguesa por estas bandas castelhanas. E foi palco de lutas e batalhas, porque os espanhóis, com razão, reinvindicavam sua área, em cumprimento ao Tratado de Tordesilhas.

Já em Colônia, pelo avançado do horário, estava tudo muito deserto e foi possível fazer uma viagem no tempo, percorrer as ruas de pedras, com suas valas fundas para escoamento de água, imaginando que a qualquer momento vamos ver algum português a gritar de alguma janela.


Na volta, de carro, passei por San José, a 60 km de Montevideo, depois almocei em Trinidad, e por fim, jantei e dormi em Paysandu, na fronteira, porque a fila para passar para a Argentina estava de doer. Era dia 14, fim de vacaciones. Todo mundo resolveu voltar àquele horário.

Então foi melhor relaxar e ver cenas diferentes, como um ritual de santeria nas margens do rio, ou crianças que brincavam, burlando a segurança do lugar,

ou cenas do cotidiano pelos arredores,

e finalizar o dia tomando uma cerveja e de quebra, assistindo a um vento frio e rápido, que tomou conta do lugar por alguns minutos. Para mim, que só conheço brisa de praia, confesso que deu medo.
Na volta, pela estrada, uma cena que nunca tinha visto: helicópteros desarmados, sendo carregados em uma carroceria. Ah, são muitos os pedágios dentro do Uruguay. Custam algo em torno de seis reais cada, ou três dólares. Sao cinco na viagem de Colônia para Montevídeo e de lá para Argentina por Paysandu. E na ponte, um deles, mais caro um pouco, 20 pesos argentinos, algo em torno de cinco dólares. Mas vale a pena, estradas bem sinalizadas, sem burracos e com placas que indicam ajuda mecânica, caso precisemos, além, claro, de ajuda de carros de polícia caminhoneira (rodoviária), que atende já em ambulância.

Tango... só com alguém da cidade


Visitar uma cidade e não se sentir um turista. Essa sensação vivi quando fui a uma praça, no bairro de San Telmo, Plaza Dorrego, depois das 22hs e havia um monte de gente dançando. Havia vários ritmos, todos muito alegres e também havia tango. Mas não era tango espetáculo, era tango para povo argentino e tinha algo mais, como um prazer por dominar o ritmo de seu próprio país. E eu cai na dança, mesmo sem saber dançar.
Já tinha ido a tal praça, na tarde de domingo, e era só para turistas, com feira de antiguidades, bares cheios, movimento de gente falando diferentes línguas, artistas se apresentando, cantando, dançando, com fantoches... tudo muito ´mise en scene´. Mas quando retornei, para ver o tango natural, parecia que o povo havia recuperado a praça, como espaço de diversão local, sem o aparato necessário para conquistar e impressionar os turistas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A China é do tamanho do mundo


Três capitais em continente americano e este é o terceiro bairro chino que visito (Lima, Havana e agora Buenos Aires)...

A presença ds chineses é forte no mundo latino. Adoro suas lojas, com tantos detalhes, objetos espiritualistas, decorativos, suas iguarias... Buenos Aires tem muitos resturantes chineses e a presença dos orientais se faz mais bela também com o presente dos japoneses, na década de 70, o Jardim Japonês, no bairro de Palermo.

Eles morrem mas suas histórias estão mui vivas



A visita ao bairro da Recoleta, em Buenos Aires, merece um post à parte. Um bairro com muita magia. O cemitério da recoleta é uma aula de história à parte. Existem guias, mas eu fui muito bem acompanhada, com meu querido amigo Becquer Casaballe, que além de fotógrafo, historiador, periodista é um homem muito inteligente. E ele me contou histórias fabulosas sobre alguns personagens que estão enterrados lá. Fatos inusitados, como a menina que foi enterrada viva por conta de algum problema de saúde não detectado e sua avó pediu para abrir o caixão dias depois e ela estava em outra posição. Sua família lhe fez uma homenagem com um túmulo muito bonito.

O túmulo de Evita Peron é o mais enfeitado, cheio de flores. E todo mundo o visita. Muitos dos presidentes da Argentina estão no Recoleta. E muitos eram maçons. Vi belos detalhes de vários túmulos, principalmente dos maçons. Usam muitos símbolos egípcios, gregos, romanos... Suas referências icônicas ligadas à morte e vida eterna são dignas de estudo. Fiquei curiosa sobre determinados símbolos.
Há homens muito poderosos enterrados ali, generais, homens que decidiram sobre a vida de outros homens. Estão lá, em suas lápides e túmulos cercados de mármore italiano, cheios de estátuas. São verdadeiras obras de arte para abrigar restos dos cadáveres. Gostei muito do passeio e em momento algum o ar de cemitério se faz presente, parece sim, um museu.

Em seguida, centro cultural da Recoleta, com várias mostras e exposições, e um jardim de verão para mariposas.


Nao resisti à cabine inglesa






Por fim, sorvete na Freddo, maravilhoso. E um monte de fotos bem tiradas por conta de um profissional como acompanhante!

La Plata

Fui à cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires. A ruta (estrada) pode ser feita com até 130 km por hora. Há pedágios, mas a rodovia é muito boa. Acho um exagero 130km por hora, mas é bem sinalizada e há faixas para quem quer andar mais devagar.
La Plata é planejada, assim como Buenos Aires, que é a Capital Federal, mas em La Plata estamos mesmo no interior. Apenas 60 km de distância, mas parece mais.
A distância verdadeira entre a capital federal e a capital da provincia está no ritmo de seu povo. Tudo muito tranquilo, mas o trânsito mais confuso, onde não se respeita muito a sinalização. Como entender porque Buenos Aires não é a capital de sua própria província? Meu amigo Bec me explicou 'La Plata es la Capital de la Provincia de Buenos Aires desde 1980, cuando se produjo la Federalización de la ciudad de Buenos Aires. La Capital Federal es la Ciudad Autonoma de Buenos Aires', segundo ele, com outra capital para a provincia, foi possível gerir melhor as cidades da região e não apenas a metrópole Buenos Aires.

Conheci a Catedral Metropolitana de La Plata. E na Plaza das Quatro Estações, a estátua que simboliza o inverno, com um gestual único, onde os dedos parecem desfazer da Igreja, é um detalhe curioso. A Igreja não utiliza a catedral para suas missas, lá está enterrado uma autoridade que era maçon. Mas utiliza a casa do Pároco, que fopi doada pelos maçons para que os padres possam residir.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Em terras portenhas


Depois de mais de dez anos de planejamento, cá estou eu, em terras portenhas... Cheguei em Buenos Aires e nada me foi surpresa, pelo tanto que lia, que investigava sobre a cidade. Mas confesso que as sensações e prazeres tem sido maiores e melhores.



A primeira visita, seguindo o roteiro que amigos como Indaiara, Sodake e Juliana me indicaram, foi o Café Tortonni... para conhecer e sentir o clima do lugar. Belas luminárias, móveis antigos, muitos quadros, gravuras, peças de arte espalhadas, uma viagem no tempo, pela diversidade de objetos antigos, bem conservados e um café gostoso para acompanhar. Gente nas mesas, a maior parte turistas e pessoas exóticas, interessante de ver. Mas percebi que só iria uma única vez àquele lugar.



Já na primeira noite, no bairro de La Boca, no restaurante El Obrero, o clima de adoração ao Maradona, o barulho das pessoas, os risos, tudo me levou a crer que cheguei a uma cidade que tem vida.
Dia seguinte, caminhei muito. Conheci a Calle Florida, com suas lojas maravilhosas, suas livrarias, em especial O Ateneu, linda, farta de boas obras e de espaços interessantes. Assisti a uma apresentação de uma banda de San Telmo, que neste dia se apresentava na Florida. O grupo mistura jazz e regaae, se chama Jamaicadeiros, muito bom, e mesmo ali, no meio da rua, o som era de muita qualidade, com diversos instrumentos de sopro, bateria, baixo... um dos caras tocava dois instrumentos ao mesmo tempo, todos dançavam, muito legal. Comprei o cd Pequeñas imperfecciones e achei perfeitinho! Só não encontrei nada no YOUTUBE para anexar aqui...pena.

Fui à Plaza de Mayo, fiquei por 40 minutos sentada na escadaria da catedral metropolitana, só observando o ritmo de vida, as pessoas, os turistas, os taxistas e a sua pressa, natural em qualquer cidade. Depois fui fazer turismo, e as fotos onde estou toda torta, ou com rosto muito à frente... isso que dá fazer viagem sozinha. Mas aprendi que preciso andar só para não ficar parada.


No terceiro dia saí a caminhar e fui para Galeria Pacífico. Conheci o Centro Cultural Borges... (é uma homenagem a Jorge Luis Borges, grande poeta, escritor, mas como seria complicado colocar o nome dele, pois já morreu e sua viúva reivindica tudo o que se refere a ele, então ficou só Borges, mas não qualquer Borges...). Vi muitas exposições, é uma galeria muito rica, com materiais em audiovisual, fotografias.
Depois fui a Plaza San Martin. Como os castelhanos cultuam seus heróis. E eu, brasileira de uma geração sem memória, me sinto orfã de heróis.

O tempo, na plaza, tem outro ritmo. Adoro ver gente deitada, lendo, ouvindo música, namorando, conversando, vendo a vida passar... todos desfrutando da praça. Na Bahia não há este hábito, talvez por isso não há amor e cuidado com tais espaços públicos.

No quarto dia saí a caminhar pela Calle Uruguay. Há muitas lojas mais em conta que na Florida, e muita coisa bonita também para ver. Depois segui pela Calle Marcelo T. D´Alvear, nos dois sentidos e fui parar no centro financeiro da cidade.
Depois segui ao contrário, para conhecer a UBA (Universidade de Buenos Aires). Confesso que fiquei meio frustrada. O prédio de Ciências Sociais é bem maltratado. E o programa de doutorado nao é específico em periodismo. Lá estou eu, predestinada a ir a outro país para ver uma universidade que me identifique...


A cada dia escolhia uma Calle ou duas, para conhecer completamente e como Buenos Aires é toda dividida por quadras, planejada, quase toda ela plana, andamos horas numa mesma rua, cruzando a cidade de norte a sul, leste a oeste. Percorri a Calle Gral. Juan Domingo Perón, onde estive hospedada e a Av. Corrientes, onde há muitas tiendas de livros usados, uma maravilha.